Toda vez que passo em frente à Biblioteca Municipal, vejo o mesmo cenário: salas grandes, ar-condicionado ligado e meia dúzia de pessoas. Num tempo em que qualquer livro pode ser lido no celular e qualquer dúvida é resolvida em segundos na internet, é justo perguntar se ainda faz sentido gastar dinheiro público para manter prédios cheios de estantes.
Não se trata de ser contra a leitura. Trata-se de prioridades. A cidade tem filas nos postos de saúde e escolas precisando de reforma. Reduzir o horário das bibliotecas e reunir as quatro unidades da cidade em uma só seria uma forma sensata de economizar sem deixar ninguém sem livros: quem quiser ler pode baixar um aplicativo gratuito.
As bibliotecas tiveram seu papel, e foi um papel importante. Mas a nostalgia não pode decidir o orçamento. O leitor do século XXI está no celular, não nas estantes.
Coluna de Ricardo Meireles, publicada no Diário de Campo Alegre.
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