Classic · Brazilian Portuguese
Os Compadres — a short story by Artur de Azevedo, in Portuguese with help
By Artur de Azevedo
Simeão comes to Rio after eighteen years and finds that his brother José has no trade and lives by his wits.
- Level
- B2
- Time
- 3 min
- Length
- 400 words
- Audio
- Read aloud
The story
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Os Compadres
Um dia o Simeão, que não vinha ao Rio de Janeiro havia dezoito anos, abalou-se de Macaé, e o seu primeiro cuidado, ao chegar ao Pharoux, foi procurar o irmão, o José, de quem não tinha novas nem mandados.
Não lhe foi difícil encontrá-lo numa estalagem do morro do Castelo, onde vivia em companhia da mulher, que acumulava as funções de cozinheira, lavadeira e engomadeira, e de um filho de seis anos, travesso como um demônio.
O Simeão ficou muito aborrecido quando o irmão lhe confessou que não tinha ofício nem benefício, e vivia de expedientes.
— Não tens de que te aborrecer, Símeão: podia ser pior! O grande caso é que nesta choupana almoça-se, janta-se e há mesmo épocas em que se ceia! £ preciso que saibas uma coisa: não ganho vintém que não seja honestamente ganhado. Meto por aí, furo daqui, furo dacolá, e arranjo sempre alguma coisa com que agüentar a vida! Que horas tens no teu relógio?
— Três e um quarto.
— As cinco devo estar em casa do Dr. Paiva, que me mandou chamar. Para quê? Não sei; mas com certeza é para me dar alguma coisa a ganhar. Sei que ele está para amarrar-se com a filha de um negociante da Rua de São Pedro; é, talvez, para alguma comissão relativa ao casamento.
Às 4 horas o José saiu de casa, em companhia do irmão. Desceram o morro e subiram a Rua de São José.
Em caminho encontraram-se com um sujeito gordo, que, ao passar pelo José, gritou:
— Adeus, compadre!
— Quem é? - perguntou Simeão.
— O Rodrigues, uma das primeiras fortunas do Rio de Janeiro.
— É teu compadre?
— É.
Chegaram à avenida, e cruzaram-se com um coronel do Exército, a quem o José saudou com estes termos:
— Boa tarde, Sr. Compadre.
— Boa tarde.
— Também é seu compadre? - perguntou o irmão.
— Também; eu tenho muitos compadres, e são todos homens de posição e fortuna!
— Tens muitos compadres? Quantos?
— Oito.
— Ora essa!
— De que te admiras?
— Eles convidaram-te para padrinhos dos filhos?
— Não; fui eu que os convidei para padrinhos do meu.
— Que diabo de trapalhada é esta? Tu só tens um filho; como podes ter oito compadres?
— A ti o digo porque és meu irmão: meu filho foi batizado oito vezes!
— Oh! sacrilégio!.
— Sacrilégio por quê?... Ele é oito vezes cristão!.
— Mas que idéia a tua!
— Pois então! Eu já não te disse que vivo de expedientes?
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